Wednesday, December 13, 2006
algumas perguntas sobre arte
Não acredito na visão dualista do ser humano. Para mim nada se explica através de dimensões não visíveis, não mensuráveis. Tudo tem de estar aqui e pode ser apontado. (Ao mesmo tempo posso ser a mais "espiritual" das pessoas).
A arte, ao ser rotulada como específica do ser humano, é colocada numa dessas dimensões fantásticas, paranormais.
Mas a criação artística tem de ter uma razão e mecanismo biológicos, como qualquer outra coisa. Mas pelo fascínio que nos provoca somos iludidos.
Porém, há situações em que a arte parece tornar-se um fenómeno biológico, tal como espirrar.
Que valor dar à arte de uma pessoa que sofreu um acidente vascular cerebral e por isso se tornou um artista compulsivo? Nessa pessoa conseguimos discernir uma razão para a arte. Ele cria porque tem de criar, teve uma lesão que a levou a isso. Algo muito claro nos diz "Ele é artista por causa disto!". Quando olhamos para obras destas pessoas juntamos um sentimento talvez semelhante ao de quando observamos uma colmeia de abelhas - "É realmente impressionante como seres irracionais criam estruturas tão complexas!". Uma destas pessoas nunca será aos olhos dos outros um artista, será um doente, um "bicho criador".
Caramba, mas provavelmente a lesão dele é apenas um extremo da anatomia de circuitos que todos os outros artistas têm! Não há nada muito diferente. No primeiro apenas aconteceu que a "inspiração" chegou a meio da vida e entrou com toda a força.
E quando o artista é uma criança? Uma criança prodígio como Jay Greenberg. De que maneira se pode perceber a obra de uma criança, mais bem dotada até que um adulto? Por que a desvalorizamos?
Com estes exemplos temos a sensação de que existe uma "arte" de origem biológica e outra de origem... espiritual(?) Talvez a primeira nem se chame arte.
O que é que a criação artística pressupõe, então, para que a avaliemos como tal?
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A arte, ao ser rotulada como específica do ser humano, é colocada numa dessas dimensões fantásticas, paranormais.
Mas a criação artística tem de ter uma razão e mecanismo biológicos, como qualquer outra coisa. Mas pelo fascínio que nos provoca somos iludidos.
Porém, há situações em que a arte parece tornar-se um fenómeno biológico, tal como espirrar.
Que valor dar à arte de uma pessoa que sofreu um acidente vascular cerebral e por isso se tornou um artista compulsivo? Nessa pessoa conseguimos discernir uma razão para a arte. Ele cria porque tem de criar, teve uma lesão que a levou a isso. Algo muito claro nos diz "Ele é artista por causa disto!". Quando olhamos para obras destas pessoas juntamos um sentimento talvez semelhante ao de quando observamos uma colmeia de abelhas - "É realmente impressionante como seres irracionais criam estruturas tão complexas!". Uma destas pessoas nunca será aos olhos dos outros um artista, será um doente, um "bicho criador".
Caramba, mas provavelmente a lesão dele é apenas um extremo da anatomia de circuitos que todos os outros artistas têm! Não há nada muito diferente. No primeiro apenas aconteceu que a "inspiração" chegou a meio da vida e entrou com toda a força.
E quando o artista é uma criança? Uma criança prodígio como Jay Greenberg. De que maneira se pode perceber a obra de uma criança, mais bem dotada até que um adulto? Por que a desvalorizamos?
Com estes exemplos temos a sensação de que existe uma "arte" de origem biológica e outra de origem... espiritual(?) Talvez a primeira nem se chame arte.
O que é que a criação artística pressupõe, então, para que a avaliemos como tal?
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